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民謡 - O Minyo, a música folclórica japonesa

  • Foto do escritor: Alvaro Nishikawa
    Alvaro Nishikawa
  • 7 de fev. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de mai. de 2024

Quem já ouviu falar de minyo? Imagino que poucas pessoas, mas algumas, principalmente descendentes de japoneses, vão saber que música são quando eu disser que são as canções tocadas nos Bon Odori, onde todos dançam em círculo fazendo movimentos de cavar e jogar carvão para trás. Bom, o minyo é o gênero folclórico da música japonesa, onde cada província (estados) do Japão tem suas próprias músicas e peculiaridades. É como se fosse o nosso baião, forró, samba e ritmos do sul do Brasil, cada um com seu regionalismo e suas características.


Gosto do significado dos ideogramas que compõe a palavra pois significam “música do povo” (民 – povo; 謡 – canção). E nesse contexto, temos que lembrar que antigamente, a música clássica (koten) era restrito a corte e à aristocracia.


A música é uma forma de manifesto das expressões culturais de uma sociedade. Muitas dessas canções eram criadas naturalmente, sem nenhum tipo de compositor, e eram cantadas para agradecer aos deuses ou pedir para um ano de boa colheita, referindo-se ao cotidiano de trabalhadores (pescadores, agricultores), assim como pensamentos e sentimentos como saudades de alguém ou da terra natal. Muitos eram cantados durante esses trabalhos com o intuito de dar ritmo (como na hora de ceifar, puxar a rede de pesca) e dar energia para quem está executando o trabalho. Além da função de entretenimento (festivais e casamentos), alguma dessas canções faziam parte de rituais religiosos.


Esse tipo de música deve ter surgido desde a antiguidade, cantando-se em grupos e batendo-se palmas por exemplo, mas foi só a partir do período Edo (1603-1868) que foram introduzidos os instrumentos como o shamisen e o fue para acompanhar essas canções. Estilos musicais como o Enka surgiram inicialmente pela influência do Ocidente no minyo e principalmente a partir do século 20, o minyo vem sofrendo alterações da sua forma tradicional para uma forma mais virtuosa, como podemos ver no talvez minyo mais conhecido, o Soran Bushi, que é acompanhado pela dança do Yosakoi Soran.


Essas canções são passadas de geração em geração, muitas vezes oralmente, e são uma maneira de manter vivas as tradições e histórias locais. Além disso, essas músicas fornecem uma conexão emocional com o passado, permitindo que as pessoas dos tempos atuais experimentem um vislumbre da vida e dos sentimentos de seus antepassados.


O minyo no Brasil

Com a imigração japonesa no Brasil, esse estilo musical chegou no continente sul americano através e foi uma forma dessas pessoas manterem suas raizes ligadas à sua terra natal. Meus avós maternos costumavam dançar e cantar essas músicas em eventos da associação japonesa ou em casamentos, e usavam isso como uma maneira de se divertir, suportar os momentos de dificuldade e lembrar dos seus amigos e familiares tão distantes.


Para sua preservação existem algumas associações como o Nippon Minyo do Brasil e o Kyodo Minyo do Brasil por parte do minyo do Japão, e pelo lado de Okinawa, o Ryukyu Minyo Hozonkai e o Ryukyu Minyo Kyokai. Além disso, existem grupos de jovens como o Grupo Min e organizações que foram criadas para a manutenção e disseminação da arte, como o Tomonari Minyo do qual faço parte.



O que significa o minyo para mim?

O minyo surgiu de uma forma muito natural em minha vida como mencionei no primeiro post desse blog. Acho que nem se quer sabia que era um gênero musical diferente e como não falava japonês quando pequeno, mal entendia o que estava cantando.


Passado quase 30 anos nesse mundo, através do minyo pude fazer amigos para toda a vida, conhecer professores extraordinários que me ensinam coisas para a vida, viajar pelo mundo afora tocando e ensinando, e o mais importante, buscando a história dos meus antepassados. Cada letra nova que aprendo e a cada nota tocada, mais sinto meus avós perto de mim, junto com um sentimento de pertencimento e auto-conhecimento, trazendo uma identidade que é repleta de significados.


E apesar do declínio massivo de praticantes no Brasil e no Japão, vejo muitos jovens interessados em resgatar essa cultura. Por tudo isso que me é proporcionado, sinto que o mínimo que posso fazer é difundir a música da melhor forma possível, com integridade e coração cheio, como fizeram e fazem meus mestres comigo. Yoroshiku Onegai Shimasu!





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